A polícia decidiu usar uma nova arma para conquistar os moradores da Mangueira e do Tuiuti: música. O projeto ainda está bem no início, enfrenta muitas dificuldades, mas promete ser uma importante ferramenta de aproximação para os policiais da Unidade de Polícia Pacificadora (UPP), inaugurada em novembro do ano passado. E uma grande oportunidade para os moradores das duas comunidades, principalmente as crianças. Músico formado pela escola Villa-Lobos, o soldado Gomes ficou responsável pelas aulas de violão e cavaquinho. O projeto oferece ainda aulas de canto com o soldado Carrilho.

Falta espaço, faltam instrumentos, mas sobra força de vontade. Sem apoio ou qualquer tipo de patrocínio, os policiais já estão trabalhando com 25 crianças do Morro do Tuiuti. A associação de moradores da comunidade ofereceu uma sala, onde as aulas estão sendo realizadas. O soldado Gomes precisa de muita criatividade para administrar tantas crianças com apenas dois violões (um deles doado por um policial da unidade) e um cavaquinho.

– Vamos revezando, enquanto uns tocam outros ficam de fora olhando. Claro que atrapalha, mas não vamos deixar de fazer o trabalho por causa disso — conta o soldado.No Morro do Tuiuti as aulas começaram em dezembro. As aulas acontecem sempre às quintas, de 9h às 17h.

– Estamos tirando essas crianças da rua e dando a elas a oportunidade de se aproximarem da música. Só com isso, já estamos evitando coisas piores ali na frente, mesmo que ninguém queira seguir carreira — comemora Gomes, que é músico formado pela escola Villa-Lobos e faz shows de voz e violão tocando MPB em bares da Baixada Fluminense.

As aulas no Morro da Mangueira ainda não começaram por falta de espaço. O problema está sendo resolvido com a instalação de um contêiner ao lado do prédio da UPP, onde elas serão realizadas. Os instrumentos serão os mesmo utilizados no Tuiuti; dois violões e um cavaquinho. A lista de crianças inscritas já está grande e o trabalho deve começar nas próximas semanas.

– Temos muitas crianças aqui da região interessadas em músicas. São duas comunidades que respiram o samba, foi da Mangueira que saiu Cartola. Preciso dizer mais alguma coisa? É uma honra para mim, um apaixonado por música, estar em um lugar tão importante para a história do samba — finalizou o soldado, que já tocava bateria aos 11 anos e cresceu ouvindo MPB por influência do pai, que também era músico.

Conversando após a reportagem, o soldado Gomes me contou que se tivesse apoio seria possível atender um número muito maior de crianças. Ele disse que são muitos meninos e meninas que procuram as aulas perguntando sobre inscrições.

Fica aqui um pedido do Blog da Pacificação: você que gostou da história e tem como ajudar essas crianças, entre em contato com a gente. Vamos fazer a ponte para essas crianças e muitas outras terem a oportunidade de aprender com a música…

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