Foi inaugurada na manhã desta quarta-feira a primeira Unidade de Polícia Pacificadora (UPP) localizada fora do estado do Rio. A Base Comunitária de Segurança do bairro Calabar, em Salvador, na Bahia, vai seguir o mesmo modelo de policiamento com aproximação, adotado nas nossas comunidades. A chegada da UPP Carioca, como brincavam os soteropolitanos, trouxe esperança de dias melhores. Eles lotaram a praça localizada na frente da associação de moradores, onde foi montado um palco para o evento. Mas também estavam nas lajes, nas janelas e na porta das casas. Todos elogiaram muito a chegada da paz. Com apenas dez dias de ocupação das unidades de elite da Polícia Militar, os crimes desapareceram.

O bairro Calabar está localizado no Morro do Gato, em uma área nobre da capital baiana. Para se ter uma ideia, a comunidade fica na região da Barra/Ondina, onde acontece o famoso Carnaval baiano. Nos últimos anos, a violência cresceu assustadoramente.Uma das moradoras com quem conversamos hoje revelou que os tiroteios eram quase diários. E muitas vezes acontecia entre os próprios traficantes da região. Sem interferência da polícia local. As crianças já não ficavam mais nas ruas brincando e para entrar na comunidade durante a noite era preciso ligar antes e checar como estava a situação.

-Eu estou muito receptiva a esse novo tipo de policiamento. A gente não tinha toque de recolher, mas para evitar correr riscos, as pessoas ligavam antes de voltar para casa, procurando saber se poderiam entrar ou não na comunidade. A gente ouvia muitos tiros entre eles. Estamos com esperança de dias melhores agora com a chegada dessa base comunitária – revelou Gleidisa Reis, de 36 anos, feliz com a possibilidade de uma infância mais tranquila para a filha, de apenas 1 ano:- A minha filha terá uma infância diferente da dessas crianças que conviveram com a violência. Agora está bom para elas brincarem – finaliza ela, que sempre conversa com amigas que vivem no Rio e já conheciam o trabalho das unidades pacificadoras.

A cerimônia de inauguração contou com a presença do governador Jaques Wagner, do secretário de segurança da Bahia, o delegado federal Maurício Telles Barbosa, e diversas autoridades do estado. O secretário de Estado de Segurança do Rio, José Mariano Beltrame, também compareceu ao evento, mas como um convidado especial. Não é para menos. Durante algum tempo, oficiais da polícia baiana e pessoas ligadas à segurança pública daquele estado estiveram no Rio visitando as nossas UPPs.

Elas conheceram o trabalho feito nas favelas do Rio e adaptaram às necessidades de Calabar.- Tenho muito contato com outros secretários, nós também fizemos algumas viagens pelo país e acho que a implantação desse projeto em cada estado, cada bairro, cada comunidade é muito pessoal, depende das características locais. Mas é certo que cada uma vai passar um pouquinho pela experiência que tivemos no Rio – explicou Beltrame, feliz com a repercussão positiva que o projeto conquistou:- Temos que sentir orgulho de certa forma porque a decisão do nosso governo foi acertada, já temos dados que comprovam isso.

Quando as pessoas de fora tomam conhecimento dos nossos resultados, elas procuram a secretaria para conhecer, ter acesso a essas informações e agendam visitas para ver mais de perto. O Rio vem quebrando uma série de paradigmas, inclusive no cenário internacional. Hoje nós viajamos para o exterior e apresentamos o nosso bem sucedido projeto. A segurança pública está atuando como um embaixador desse novo momento para o nosso estado – finalizou o secretário.

A comandante da Base Comunitária no Calabar será uma mulher, a capitã Maria Oliveira. Assim como aconteceu no Rio, com a agora major Pricila Oliveira, que comandou a primeira unidade pacificadora, no Santa Marta. A oficial da polícia militar baiana passou pelo menos uma semana no Rio, visitando e conhecendo algumas comunidades pacificadas. Agora ela vai encarar o desafio de comandar uma tropa com 120 policiais militares. Nada que assuste.

– A mulher tem mais sensibilidade, os homens são mais turrões. O toque feminino dá uma diferença no trabalho. Tive o prazer de encontrar a major Pricila e ela me passou a experiência, as dificuldades, mas me disse que com boa vontade a gente consegue executar o policiamento. Também visitei outras comunidades e aprendi que estamos aqui para exercer a atividade de polícia.

O social vem depois – explicou a simpática oficial, que já começa o trabalho colocando em funcionamento o Programa Educacional de Resistência às Drogas e à Violência e um projeto de inclusão digital:- É um desafio por ser a primeira Base Comunitária aqui na Bahia. Ainda existe aqui uma resistência, o policial ainda tem uma fama de violento e todos vão precisar se adaptar a essa nova realidade. Vamos aprender juntos, mas tenho certeza que a boa fama obtida pelas UPPs no Rio vai ajudar no meu trabalho – encerrou ela.

A base comunitária foi instalada provisoriamente no prédio da associação de moradores do Calabar, que foi reformado com apoio da iniciativa privada. A secretaria de Segurança também providenciou a instalação de sete câmeras, com as imagens sendo transmitidas para um centro de monitoramento que fica dentro da própria base. Segundo a capitã Maria Oliveira, o policiamento será feito com policiais a pé ou utilizando carros, motos e até cavalos.

A secretaria de Segurança da Bahia anunciou ainda que Calabar será a primeira Base Comunitária, mas outras três já estão com o planejamento pronto e devem sair do papel em breve. A próxima deve ser instalada no Nordeste de Amaralina, considerado o bairro mais perigoso de Salvador (‘o nosso Complexo do Alemão’ – como disse um policial). Tancredo Neves e Subúrbio Ferroviário também vão receber o modelo de policiamento comunitário.

A nossa breve visita a Salvador para acompanhar a inauguração da UPP Calabar rendeu ótimas entrevistas. Conhecemos pessoas muito legais, com incríveis histórias de vida. Durante a semana vou contar um pouquinho mais de cada um… Acompanhe!

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